Como eu vejo Desktops#

Em termos de desktop eu nunca senti que precisava de algo completamente diferente do básico que o windows oferece, mas eu sempre gostei de customização tanto no visual como na funcionalidade, gosto muito de testar as coisas e ver se elas servem pra mim, amo ter opções.

Após entrar no mundinho Linux e explorar minhas opções o KDE se tornou meu ambiente principal pela sua familiaridade e flexibilidade, facilmente a melhor escolha para qualquer pessoa que já está familiar com a forma Binbows de fazer as coisas, porém com muito mais liberdade caso o usuário deseje.

Nada no KDE chegou a me frustrar ao ponto de querer mudar de desktop, eu sempre gostei de testar coisas novas, já cheguei até a testar o GNOME por um tempo, mas nunca testei um tiler, e após tanto ouvir falar do Hyprland e desta nova fornada de compositores, decidi me aventurar.

Início do teste#

Para que eu pudesse realmente cogitar um tiler este deveria segurar ninha mão e ser muito bem documentado, como um desktop minimalista é um conceito novo pra mim eu gostaria de ter o máximo de ajuda para desbravar este mundo até então desconhecido.

Segundo minha pesquisa o Hyprland era o ambiente mais robusto e bem documentado compatível com Nvidia, coisas como Niri e Wayfire existiam, mas eu optei por ter uma comunidade maior caso fosse necessário consultá-la em algum momento.

Conhecendo o Hyprland#

Quando entrei no Hyprland pela primeira vez eu não estava apenas de frente para uma tela sem saber o que fazer, havia um belíssimo papel de parede e instruções de como começar a configurar meu ambiente, e dentro do arquivo de configuração tinham vários comentários explicando cada seção com um link da wiki para mais informações.

No momento que entrei na Wiki eu percebi de onde vinha todo aquele hype e por que tinha tanto dele espalhado por aí. Simplesmente qualquer pessoa capaz de interpretar texto (em inglês) pode aprender a configurar o Hyprland, e não só ele, você também aprende por experiência como desbravar o mundinho de montar seu próprio desktop. Se toda documentação fosse tão bem escrita como a do Hyprland a gente estaria vivendo em uma utopia.

Qualquer outra coisa extra como uma barra de tarefas, área de notificação ou lançador de aplicativos também é listado na wiki como um aplicativo sugerido, então por mais que o Hyprland ou seus programas complementares não cubra suas necessidades, você já é guiado para opções recomendadas de programas para exercer estas funções, às vezes até com exemplos de como utilizar eles na sua configuração.

Absolutamente tudo que precisei aprender ou consultar para fazer meu próprio desktop foi originado da Wiki do Hyprland, e gostaria também de dar uma menção honrosa ao Waybar que também tem uma Wiki ótima, só que bem mais humilde. Se não fosse pela documentação eu nunca teria descoberto como é gratificante montar o meu ambiente para minhas necessidades específicas.

Configurando meu Hyprland#

Por mais que o Hyprland deixe você fazer coisas muito específicas ou até mesmo estranhas com sua área de trabalho, eu não desviei muito da experiência padrão, maioria das minhas especifidades vem com as teclas de atalho, e como as áreas de trabalho e algumas janelas funcionam, meu computador é uma ferramenta no final do dia, então o importante pra mim é que tudo faça sentido pra o que eu preciso fazer no momento.

Montar meu ambiente foi como a primeira vez que montei um computador, só que sem pensar tanto no preço das peças, cada um dos componentes tem certas características que combinam melhor com o que eu quero fazer, pode não ser o melhor em tudo, mas é o melhor para mim. Fazer tudo do zero definitivamente foi uma experiência muito gratificante, além de escolher como tudo funciona, eu tenho um entendimento completo sobre cada uma das coisas que estou usando, então se tiver algum problema eu já sei onde olhar.

Gostaria também de relembrar que toda a configuração é feita em texto, e por mais que isso me assustasse no começo, acabou que eu entendi muito bem porque nem tudo é configurado com uma interface. Existem certas nuances que uma interface não consegue representar facilmente, a granularidade é muito maior, no final de tudo até mesmo as interfaces de configuração acabam apenas escrevendo os mesmos arquivos de texto de forma automatizada.

Eu nunca imaginei que estaria em algum momento da minha vida, defendendo algo que anteriormente me assustava, por medo de cometer algum erro de sintaxe ou digitação e acabar quebrando meu sistema. Claro, algumas coisas que eu não planejo entender por completo ou só são meio confusas mesmo eu ainda prefiro ter em uma forma gráfica. Não existe uma forma certa ou errada de fazer configuração, às vezes granularidade é mais importante que simplicidade ou vice-versa.

Como configurei meu ambiente#

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A única coisa que não consegui me habituar do Hyprland foi que não há uma separação entre as areas de trabalho em cada monitor, eu particularmente me confundo bastante com estar mudando para a próxima ara de trabalho e acabar com meu cursor no segundo monitor. Existe um plugin para fazer esta separação dos monitores, e é atualmente a única extensão que uso em meu Hyprland, é algo tão simples de implementar que quando a configuração foi mudada para Lua ela virou apenas um módulo que vive na minha pasta de configuração.

Como eu não usava todos os recursos do KDE acabou que eu nem precisei instalar muitas coisas por cima do Hyprland, Fuzzel é um lançador de aplicativos que também uso para meu histórico de cópia e cola, Waybar é a minha barra de tarefas, relógio, controle básico de mídia, o que for possível ter na minha barra vai ficar nela, qualquer coisa que não esteja na minha tela não existe pra mim, então eu gosto de ter o máximo de informação útil ao meu alcance direto.

Segundo influência do Brodie Robertson eu também entrei no mundo das janelas roláveis, um espaço horizontal ou vertical “infinito” para minhas janelas não parecia tão prático, porém acabou que gostei muito da ideia, principalmente para meu monitor vertical. Devo admitir que às vezes algumas coisas ficam para fora da minha tela, mas isso nunca chegou a ser um problema até o momento.

Eu acho que para mim é uma ideia que funciona muito bem, pois as janelas ficam em um tamanho bom para utilizar e eu ainda posso arrastar coisas entre elas sem ter que mudar de área de trabalho. Achei que seria bem confuso, mas acabou que prefiro que o layout padrão, pode até não ser tão eficiente mas funciona muito bem na minha cabeça, e é isso que importa.

Hyprland é o desktop ideal?#

Não é pra todo mundo, na real não existe uma solução para todo mundo. Eu gosto de montar as coisas do meu jeito, testar formas novas de fazer as coisas e não me importo de aprender algo novo, gosto até de mais para falar a verdade.

Acho que montar a minha DE é a melhor forma de usufruir o mundinho Hyprland, não que esta seja a forma certa, mas para qualquer pessoa que goste de se aventurar ou desafiar com algo novo para no final ganhar algo unicamente seu, não existe motivo para repensar, a Wiki é excelente e a comunidade vai te apoiar bastante, vai fundo.

Nem todo mundo precisa de algo assim e tá tudo bem também, você pode ser um monstro que ama a experiência Copilot OS, ou só está contente com o que já tem, a primeira pessoa eu tenho certa preocupação, mas o resto eu entendo, você não precisa escolher cada peça que vai fazer parte do seu carro para ele servir para você, as vezes o modelo mais vendido do ano te atende perfeitamente, e você não precisa de muito mais.

Eu só acho que em um mundo tão uniforme e padronizado é importante ressaltar que sim, você ainda pode manifestar sua individualidade sem estar exibindo um produto. Hoje em dia a gente define todo mundo pelo seu padrão de consumo, e isso realmente é uma parte de quem somos, mas é muito insignificante comparado ao que a gente cria.

Não falo em criar algo para vender ou para ficar popular e sim criar por criar, este blog, por exemplo, é minha forma de criar algo para mim, da minha própria forma. Não tenho a minima pretensão de tirar algum retorno dele além de mostrar um pouco do que eu gosto ou tenho feito ultimamente, e escrever por enquanto é a forma que eu tenho conseguido criar algo por mais ínfimo que seja.

E sim, configurar um software significou isso tudo para mim e eu reforço, nosso espaço físico e digital é uma extensão de quem nós somos, e poder ter o controle total deste é algo que importa muito para mim.

É isso, não precisa ter medo de testar coisas novas, pra mim deu muito certo e fez pensar em coisas bem além do meu fluxo de trabalho, e pode ser que não funcione para você, tá tudo bem, esta é apenas a minha experiência. Nem todo mundo tem o mesmo ponto de vista ou necessidade e isso é bom, imagina viver em uma eterna festa da Lili? Nossa não, por favor não.